Nossa Histórica

Itália e seus imigrantes

Antes dos Romanos, foram os Etruscos que dominaram a Península Itálica.  O Império Romano consolidou-se aproximadamente dois séculos a.C. e teve sua queda em 476 d.C..  Depois disso, o território que hoje corresponde a Itália, foi dominado pelos bárbaros e em 774  por Carlos Magno – rei dos Francos.  

Os católicos da Europa – França – Espanha – Portugal e Itália, liderados por seus soberanos, resolveram retomar a cidade de Jerusalém que estava em poder dos Mouros.  Em 1096 começaram as Cruzadas, (exércitos mistos e muitas vezes desorganizados), que marchavam em direção ao Oriente Médio.  O transporte marítimo era uma alternativa para alcançar a “Terra Santa”, favorecendo assim o desenvolvimento das Repúblicas Marinaras Italianas:  Amalfi, Genova, Pisa e Veneza.

A Idade Média  foi chamada de “Idade das Trevas”. A destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de invasões e saques, as constantes lutas entre os senhores feudais, contribuíram para criar um ambiente desfavorável ao desenvolvimento das artes e ciências.

Assim mesmo, a Idade Média criou  obras expressivas.  Na Itália, a maior figura literária deste período foi Dante Alighieri (1265-1321), que escreveu  “A Divina Comédia”.

O Séc. XV é o início do Renascimento, é a Era Moderna. É a Itália de Michelangelo, com “la Capela Sistina”, do gênio Leonardo da Vinci, de Galileu Galilei e de inúmeros outros.  

Em 1803 Napoleão Bonaparte invadiu o norte da Península, dominou vasta região.  O Trento (de língua italiana) e o Alto-Ádige (de língua alemã),  que eram principados autônomos, passaram a viver sob domínio da Áustria, enquanto o Sul era dominado pelos Bourbon e Savoia.   Além disso, o território era dividido em Cidades-Estado e pequenas Repúblicas.  

A partir do  Congresso de Viena em 1815, (após a derrota de Napoleão em Watherloo), a Lombardia o Vêneto e o Friuli, tornaram-se parte do Império Austro-Húngaro. 

A unificação da Itália tem início na primeira metade do século XIX, com o chamado “Risorgimento” (ressurgimento), movimento liberal e nacionalista.

Numa segunda fase, a liderança da unificação é dividida entre os monarquistas do Piemonte, as tropas do  republicano Giuseppe Garibaldi. Ajudados pela França, os piemonteses derrotam os austríacos no Norte, enquanto Garibaldi expulsa os Bourbon de Nápoles e da Sicília.

Giuseppe Verdi com “Va pensiero, su l’ali dorate…” de sua   ópera “Nabuco”, interpretava bem a sede de liberdade e o sentimento patriótico dos italianos.

Em 1848, aconteceu a I Guerra de Independência, onde os nacionalistas foram derrotados. 

Em 1859, aconteceu a II Guerra da Independência, Reino dos Savoia – (Sardegna) em parceria com os franceses contra o Império Austro-Húngaro, resultou em 1860 a anexação da Lombardia ao território italiano.  Em troca, a Itália cedeu a região de Nice, que passou a pertencer à França.  O novo Estado nasce finalmente em 17 de março de 1861, com a proclamação de Vittorio Emmanuel II, como rei da Itália.

Na III Guerra da Independência e com o enfraquecimento do Império Austro-Húngaro, o Vêneto e o Friuli foram anexados em 1866.

O Estado Pontifício, que abrangia o território entre o Lazio e o Rio Pó, foi anexado em 1870.  A Itália é uma monarquia, tendo Firenze como capital.  Um ano depois, em 1871, um exército de bersaglieri chega a Roma, proclamando-a como nova capital da monarquia.

O Trento e o Trieste/Venecia Giúlia (Trieste era o porto dos Austríacos), que estiveram sob domínio Austríaco desde 1803, são incorporados ao território italiano em 1918, em acordo celebrado após a I Guerra Mundial.

Em decorrência disso, os Trentinos, que imigraram neste período chegaram ao Brasil como “austríacos” e não como “italianos”.   Em 1920, uma lei deu aos emigrados Trentinos o direito de optarem por uma das duas cidadanias.   Tal comunicação, entretanto, ficou afixada apenas nas embaixadas italianas.  Os imigrantes Trentinos, que moravam no interior, nunca ficaram sabendo dessa opção.  Só agora, no início do Século XXI, é que a Itália editou nova lei dando a eles o direito de requererem a dupla cidadania.

Em 1946, no dia 02 de junho (data nacional da Itália), os italianos votaram o referendum entre a Monarquia e  República.   O Regime Republicano venceu com 51% dos votos.

Em decorrência do prolongado conflito que antecedeu a unificação, o país encontrava-se depauperado.   Com a maioria das terras ainda concentrada nas mãos de poucos, deu-se início ao grande fluxo migratório com destino, principalmente à América: “andiamo far l’America” diziam ao partir. 

Particularmente no Brasil, o fluxo migratório italiano, ocorreu logo após a abolição da escravatura, quando os produtores de café buscavam mão-de-obra para substituir os escravos.

Havia um propagandista contratado pelo Governo Brasileiro que prometia maravilhas aos que quisessem emigrar.  Quando chegavam, entretanto, só encontravam dificuldades e absolutamente nada de terras, ferramentas e o apoio financeiro para sobreviver no primeiro ano, conforme prometido.  Muitos foram para o interior de São Paulo, principalmente nas fazendas de café, onde viviam num sistema de semi-escravidão.  Os que vieram para o estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, aguardavam meses para terem suas terras demarcadas e  tiveram que desbravar a mata sem nenhuma ajuda governamental. 

Na verdade, Dom Pedro II tinha outros objetivos ao incentivar a imigração, principalmente a italiana. 

a) A necessidade de mão-de-obra para substituir os escravos  (os italianos do Norte eram ótimos agricultores);

b) Ocupar o máximo possível do território nacional e defender as fronteiras;

c) “Clarear”, com a vinda de imigrantes brancos, a população brasileira que tinha grande influência africana.

Os navios aportavam principalmente nos estados do Espírito Santo, São Paulo (Santos) e Rio Grande do Sul.  No Rio de Janeiro, só aportavam em caso de problemas técnicos, como aconteceu várias vezes com navios que tinham como destino a Argentina.   Dom Pedro não queria os italianos no Rio de Janeiro, então capital do Império, pois eram pobres e eram chamados de “escravos brancos”.

Como a preferência era para imigrantes agricultores, muitos profissionais como pedreiros, marceneiros e outros artesãos, inscreviam-se como “colonos”.  Ao chegarem ao Brasil, burlavam os contratantes e permaneciam na cidade de São Paulo, onde encontravam trabalho dentro de suas especialidades.  Ao perceberem estas manobras, os trens que partiam do porto de Santos para o interior do estado, transpunham a capital paulista em marcha lenta, sem parar.  Sabedores das condições de trabalho no interior, muitos desses imigrantes saltavam do trem em movimento para permanecer na cidade.

No interior de São Paulo, como mostrou a novela “Terra Nostra”, e em decorrência de contratos celebrados em português, língua que os imigrantes não conheciam, o regime era de semi-escravidão.  Os suprimentos básicos deviam ser feitos no “armazém do fazendeiro”, a preços exorbitantes e com isto, os colonos viviam endividados, sem condições de ir embora. 

 

Na Itália, se por um lado a imigração provocou um esvaziamento populacional, por outro, reduziu o número de pobres. 

 

No exterior, por sua capacidade de adaptação, o italiano foi um desbravador, construiu vilas e cidades, difundiu no mundo as tradições, a cultura, a arte e a língua italiana.

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